Sim, é uma newsletter.
Sim, eu disse, na última edição, em março de 2025, que não voltaria a escrever aqui.
Sim, eu menti.
E antes que digam qualquer coisa: sim, eu to citando Michel Temer no título desse text — e não o senador romano Caio Tito. To citando ele mesmo, Michel Temer, um delírio coletivo dos brasileiros que, como eu, tiveram a infelicidade de viver um momento tenebroso da política nacional. Quem diria que esse momento nunca terminaria né?
O curioso é estar escrevendo isso totalmente contra meu instinto de fazer perfeito. Sempre tem alguém dizendo que gostaria que eu voltasse com o podcast ou com a newsletter, mas eu sempre acho besteira. Muito trabalho pra pouco retorno. E aí eu leio os textos da Taize Odelli e fico “pô, que massa esse negócio de newsletter né?” e fico muito a fim de voltar.
E aí eu não volto. Dá muito trabalho. Não dá retorno.
Escrevo isso entre duas reuniões que poderiam ser um email — caraca, esse termo já virou um clichê né? Igual reclamar de falar call e meeting e deadline e budget — e, ao mesmo tempo que digito rápido pra tentar fazer sentido no tempo disponível, descubro pra onde esse texto tá indo enquanto o redijo.
Estou lendo vários livros ao mesmo tempo — nunca gostei de fazer isso mas é o que tem pra hoje — e me deparei com O Caminho do Artista. Sempre quis ler esse que é um clássico entre meus colegas da literatura independente — pensando que eu já fiz parte desse grupo, né? A vida é louca e longa — e decidi dar chance pra ele, e dar chance do jeito certo: planejando fazer as tais 12 semanas de tarefas.
Essa newsletter é meio que um exercício disso. O próprio livro, no início, fala pra gente colocar pra fora o que a gente quer falar. Antes dele, porém, meu amigo Lucas Ferraz já canetou forte e me mandou o áudio reproduzido nesse vídeo (não sei se o email vai mostrar o vídeo então por favor clique no link):
Lucas assim ó:
E essa parada quase autoajuda dele me acendeu uma luz que me fez ir atrás, de fato, no que eu queria fazer. E eu, hoje, quis escrever essa newsletter.
E você, que um dia assinou essa joça, recebeu o texto aí no seu inbox.
Não sei se você sabe, mas eu to no quinto semestre do curso de psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes. E nesse curso a gente aprende muita coisa sobre (pasmem) o comportamento humano. Sobre como comportamentos que trazem resultados positivos são reforçados e, por sua vez, repetidos. O comportamento é um meio para um fim — o resultado. Pode chamar de reforço positivo (análise do comportamento), de diminuição da tensão (metapsicologia freudiana), do raio que o parta (dona maria sentada na frente do portão vendo o povo passar); independente da abordagem, a gente adora coisas que dão certo. E, porra, as coisas que eu fiz já deram certo.
O Doug falou comigo no instagram sobre como a gente tem que falar mesmo — inclusive das coisas que a gente não gosta. Do que incomoda, do que tira a gente do sério, do que a gente achou um lixo. Claro que fico pensando que as coisas hoje em dia ou são MARAVILHOSAS ou são HORRÍVEIS, but I digress. Doug falou sobre como a gente não tem que esperar um insight, mas falar das coisas. Ele tá certão.
Falei do podcast ali em cima e lembro que um dos episódios mais ouvidos foi uma resposta de uma pergunta que eu sempre fugi (e que sempre aparecia — perguntas anônimas são foda): o tamanho do meu pinto. E aí gravei esse podcast meio à moda caralha (heh) sem querer querendo e foi um dos mais ouvidos. Vou colocar na conta do título a lá Evangelion.
(Se você nunca ouviu meu podcast, oh boy. São ±400 episódios gravados quase diariamente de 5-10 minutos — com raras excessões tipo esse de meia hora — em que eu respondo perguntas feitas semi-anonimamente).
Lembro de quando a Vanessa Guedes falou (ou não falou, deve ser minha memória) sobre textos no Substack com o assunto “textos no Substack”. Esse é mais um deles. Desculpa, Vanessa.
ENFIM
Se eu to escrevendo aqui, é porque falar não registra. Nem no vídeo. Tenho publicados vídeos no Instagram duas vezes por semana e puta que me pariu que RAIVA que é procurar um vídeo velho. Não tem busca! As empresas de IA torando e nenhuma pra transcrever os vídeos e criar uma busca melhor?
Agora, aqui, a coisa fica registrada. Eu, como jornalista e programador, alguém que fica de pau metafórico duro com tabelinha do excel e banco de dados bem arquitetado, adoro saber que posso buscar algo depois. Aliás, quando a IA virou uma coisa, a primeira coisa que pensei foi passá-la no Tempos Fantásticos e montar uma wiki pra ele. Usar a ferramenta pra fazer um trabalho de trouxa que é tabular tudo o que eu escrevi.
Quem diria que o trabalho de trouxa que a IA ia fazer ia ser o trabalho do trouxa AQUI, que mal escreve código há meses, só prompt prompt prompt.
A palavra voa, a escrita fica. Então, talvez, gravar vídeos não seja o bastante.
Comente aí embaixo se você esperava essa newsletter (spoiler: não) e se você acho ler isso uma grande perda de tempo.
Sei que você leu. Eu só escrevo pra ser lido. Sim, trato isso em terapia.
Escreva aí também (scripta manent) o que você acha sobre qualquer coisa que eu falei. Ou não, mas preferia que sim.
Pronto, vomitei o que tava aqui. Se você chegou aqui pra me ler, aposto que tem textos mais interessantes, melhor escritos e com temas mais relevantes no histórico. Navegue aí. Certeza que algo vai te fazer dar uma mísera risadinha.
Beijos… e tchau.






AE CARALHO, mt feliz de te ler por aqui. Não tenho grandes _insights_ pra falar do texto, mas posso falar q é sempre um prazer ler o que passa na sua cabeça - e por consequência, nesse substack
Coincidentemente ou não, estava pensando em você — nos seus textos — esses dias. E aí você voltou! Fiquei muito feliz de te ver por aqui de novo.